The man who said "I'd rather be lucky than good" saw deeply into life. People are afraid to face how great a part of life is dependent on luck. It's scary to think so much is out of one's control. There are moments in a match when the ball hits the top of the net, and for a split second, it can either go forward or fall back. With a little luck, it goes forward, and you win. Or maybe it doesn't, and you lose.
Entre o berço de ouro e a lânguida sepultura desabrocharam rosas de pétalas exangues fluíram primaveras de humidade e pólen cantaram cotovias ainda que baleadas e as palavras se entorpeceram de violência e amor.
agora pútridas as mãos ossos amparam a memória e a grave austeridade dos retratos enquanto a casa jaze no seu silêncio profundo.
só os espelhos tremem com os séculos têm lágrimas de vidro nas polidas superfícies agudas lâminas de aquosa dor
é deste vazio absouto que se fazem os cemitérios onde pernoitavas e por este silêncio de antigo claustro que se matam as aves com violência e os espelhos, aquosos, se quebram se partem se estilhaçam
1
trago abertos os pulsos
pelas lâminas
porque quero alimentar as rosas
mortas.
injectá-las de pólen e efervescente
magma
e abrir ainda as suas coroas difíceis.
dos túmulos silenciosos onde se
deitam trazê-las rubras
como corpos delicados
arrancá-las
ceifando as suas raízes dos leitos
onde se esquecem:
pétala a pétala ascender-lhes o lume.
e depois, com o sangue derramado
desta angústia
apagar rostos nomes datas
gravados antes de mim na
lápide fria.
2
a criança disse:
ao nascer não sabia dos sepulcros
nem da gestação das covas
ou do duro ofício das ceifas.
ao longo da vida me têm ensinado
a morrer.
mas ao silencioso fogo dos poentes
deixo ao esquecimento este simulacro
de amargura e
lembro-me dos pássaros a
eternidade.
calada, desenho asas na pele.
não raras vezes ressuscito
rosas
"Num daqueles dias de Outono, em que nos queima a vermelha labareda das folhas, um amigo pedia que lhe contasse uma história. «Salva-me a vida, conta-me uma história.» E eu recordei aquela mulher das Mil e uma Noites, que encadeava, com doçura e desespero, uma história na outra, pois só a história infinita nos permite escapar à maldição da morte. Um amigo é uma história que nos salva."
«A arte não é para mim só um modo de estar no mundo, mas de estar para além dele, quase um modo de achar em mim um rastro dos deuses mortos».
Vergílio Ferreira, Apelo da Noite
sexta-feira, 9 de janeiro de 2009
sexta-feira, 2 de janeiro de 2009
P.S. - A Lucibelya é preguiçosa e não escreve nada no blog. Vergonhoso.
quinta-feira, 1 de janeiro de 2009
Receita de Ano Novo
Para você ganhar belíssimo Ano Novo cor do arco-íris, ou da cor da sua paz, Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido (mal vivido talvez ou sem sentido) para você ganhar um ano não apenas pintado de novo, remendado às carreiras, mas novo nas sementinhas do vir-a-ser; novo até no coração das coisas menos percebidas (a começar pelo seu interior) novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota, mas com ele se come, se passeia, se ama, se compreende, se trabalha, você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita, não precisa expedir nem receber mensagens (planta recebe mensagens? passa telegramas?)
Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumidas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.
Carlos Drummond de Andrade
domingo, 21 de dezembro de 2008
It's the hardest thing in the world to accept a "little" success and leave it that way. Marlon Brando